Cuidado com quem você conhece nos aplicativos de pegação.

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Há muitos anos, quando meu blog era dentro de um portal famoso voltado pra comunidade LGBT, fiz uma postagem parecida, relatando alguns casos que escutava na noite. Entre os comentários, um cara disse que, por eu ser escritor, eu estava “inventando” as coisas.

Naquele momento eu entendi que a gente só vê o que queremos ver. E muitos daqueles relatos eram tão insanos, pra ele, que ele realmente acreditava que fosse fruto da minha imaginação. Mas não eram.

Eu conheço muitas histórias. A última que escutei, acabei colocando dentro do meu romance gay chamado THEUS: Do fogo à busca de si mesmo. Não é o enredo principal, mas, o protagonista fica sabendo de uma coisa que aconteceu com uma travesti. No livro, é uma travesti. Mas a história real, que me baseei, aconteceu com um amigo gay. Ele estava em casa sozinho, achou um “boy magia” no aplicativo e convidou o mesmo para ir até sua casa. O boy tocou a campainha e ele abriu o portão. Quando abriu, mais dois caras – que estavam escondidos – entraram em sua casa.

Segundo este meu amigo, ele ficou preso em seu banheiro enquanto os três homens roubavam toda a sua casa. E, a todo o momento, eles conversavam alto decidindo se iriam ou não iriam matar ele. No final, depois de quase 5 horas roubando a casa inteira e ele preso no banheiro, deixaram ele viver: “Estamos indo embora, mas você vai ficar ai mais duas horas. Se sair antes, se ir atrás da gente ou se nos denunciar, voltamos aqui e acabamos com a sua vida”.

Claro que o problema não são os aplicativos de pegação. Coloquei isso no título da matéria pois hoje temos diversos aplicativos gays de encontros e é muito fácil chamar alguém até sua casa ou visitar a casa de alguém. Outro dia mesmo, um garoto mandou mensagem pro meu vizinho dizendo: “Meus pais estão trabalhando, cheguei da escola, estou sozinho aqui, vem agora!”. Daí você imagina, um jovem em casa sozinho convidando um desconhecido para ir até sua casa escondido dos pais.

Lembro-me, vagamente, que antes da Internet e esses aplicativos, um cara que conheci na balada gay pagava bebida pra todos os amigos todos os finais de semana. Desempregado, ele dizia que tinha uma renda guardada. Depois de alguns meses, o cara sumiu. O amigo dele, que era meu amigo, ao perguntar por ele, disse que esse cara “apareceu do nada” na roda de conversa deles e perguntou se ele conhecia algum lugar para dividir apartamento. Meu amigo disse que onde ele morava tinha um quarto vago. E alugou para ele. O que meu amigo não sabia era que, ao sair de casa para trabalhar, esse cara ia no quarto dele, pegava todos os documentos e fazia empréstimo pessoal em seu nome em várias operadoras de crédito. Por isso tinha tanto dinheiro sem trabalhar. Depois que descobriram, o cara apareceu com dois advogados. Dizendo que não tinha sido ele. E para não apanhar, desapareceu de São Paulo. Provavelmente aplicando golpes em outros lugares.

Ou ainda, na mesma época, de um conhecido que beijou um cara na balada, citou por cima onde morava e no outro dia o cara estava na porta da sua casa pedindo pra entrar. Ou de uma drag queem, novinha, conhecida que morava na rua Rego Freitas (centro de São Paulo), que foi encontrada morta após ter saído com outro boy magia. Ou de um senhor, na Vieira de Carvalho, artista plástico, que foi encontrado com o corpo carbonizado dentro de seu carro no dia seguinte após ter conhecido um garoto no mesmo local.

Sem falar em um empresário LGBT, famoso, muito esperto com esses golpes, que caiu no famoso boa noite cinderela. Ele me disse que nunca aceitava bebida de ninguém com medo. Mas uma vez conheceu um jovem em uma sauna gay e o levou para casa. No caminho, o jovem ofereceu um chiclete de goma, com recheio no meio. Ele aceitou, a embalagem estava fechada, nem percebeu maldade. Ao chegar em casa, capotou. Só acordou no dia seguinte com o apartamento roubado. Tudo indica que o jovem astuto injetou com seringa o sonífero dentro do chiclete. Coisa que ele jamais imaginaria, ja que era bem esperto com estas coisas.

Para essa e outras tantas histórias que não chegam à mídia, vale a pena dizer: tomem cuidado. Ainda mais nessa facilidade de encontros. Afinal, infelizmente, nem todo mundo mostra suas reais intenções logo de cara.