Peça de teatro em São Paulo fala sobre a prática do sexo Gay Bareback


O sexo dito bareback (sem camisinha) dentro da comunidade de homens gays ainda é algo muito polêmico. Muita gente que diz gostar do sexo bareback não, necessariamente, tem o fetiche de infectar ou ser infectado por outras pessoas. No Brasil, na maioria dos casos, são pessoas que apenas gostam de transar sem camisinha e usam o termo bareback para deixar isso bem claro em aplicativos e sites de pegação. Assim como muitos heterossexuais que também gostam do sexo desprotegido: apenas curtem o prazer da transa sem camisinha.

Entretanto, se procurarmos bem, encontram-se pessoas realmente interessadas no fetiche da transmissão da infecção do HIV. Que é da onde o termo bareback nasceu lá fora. E é justamente aqui que gira a polêmica peça Bug Chaser – Coração Purpurinado.

Sinopse

Mark está em uma quarentena sendo analisado por uma voz, um programa de inteligência artificial. Em fragmentos e saltos atemporais, a peça conta a saga desse homem, um advogado criminalista que busca se infectar propositalmente.

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“Falar de bareback, de um homem a procura de um vírus e de toda uma sociedade deteriorada, é trabalhar num universo particular que não deve ser entendido cartesianamente e requer cuidado para não reforçar preconceitos. O nosso desafio foi se debruçar sobre esse texto que trata de escolhas radicais e no trabalho do ator criador que lida com um personagem de extremos. Aqui, a luta contra a biopolítica impositiva e em estar fora da caixa social em que estamos automaticamente submetidos é levada ao limite. A partir da verticalização profunda no universo LGBT – abrangendo desde a sua subcultura até o mais violento preconceito sofrido – e a busca por ressignificações de lugar no mundo, pretendemos trazer questionamentos para além da simples reflexão e julgamento”, diz o diretor Davi Reis.

“A quarentena da peça significa a de todos os dias em que os discursos biomédicos colocam o sujeito que pratica bareback como alguém anormal, portador de distúrbios psicológicos ou criminalizadores, que acabam contribuindo para a manutenção de novos estigmas que há séculos acompanham os indivíduos homossexuais. Aliás, ainda há campos de concentração para gays. Foi mais de um ano de pesquisa, baseada em documentos e depoimentos de homens que se dispuseram a falar sobre o bareback”, conta Ricardo Corrêa, que já lançou um curta documentário ‘No Sigilo’, como parte de sua pesquisa que também trouxe depoimentos de vários homens gays sobre sexualidade, bareback e o HIV para o espetáculo.

“Há uma distinção entre o que se chama barebacking e bugchasing. Nem sempre os praticantes de bareback buscam a soroconversão. Percebi que esse é um assunto sobre o qual não se fala, há um silêncio na comunidade LGBT e por isso decidi enfocá-lo neste projeto artístico, pelos diferenciais que ele carrega em si e por sua tamanha complexidade. Existem, entretanto, diferentes aspectos ou dimensões culturais mais amplas, do nosso tempo, que devem ser considerados nestes contextos de fascinação pelo risco ou apostas nos ganhos sensoriais de encontros perigosos. Problematizo um homem em transito em um mundo doente, que busca encontrar pertencimento e aceitação. Uma jornada perigosa de autodescoberta para encontrar o melhor e o pior de uma nova comunidade que ele quer desesperadamente fazer parte. Falo de falo de escolhas, de desejos, de estigmas e principalmente sobre um novo capítulo da história do HIV”, conclui Ricardo.

Sobre Companhia Artera de Teatro

Com intuito de abarcar diversas dimensões da cena contemporânea, tem por meta a encenação de textos com dramaturgias inéditas, direcionando a pesquisa para temas relacionados às minorias, permitindo-se o intercâmbio com outras artes, manifestações e tecnologias.Em 2017, o grupo completa 15 anos de atividades ininterruptas, tendo realizado quinze produções, recebendo importantes prêmios. Site da Cia: http://ciaartera.wixsite.com/artera

Ficha Técnica:

Dramaturgia: Ricardo Corrêa. Direção: Davi Reis. Elenco: Ricardo Corrêa e Leonardo Souza. Vídeo design, Fotos e Programação visual: Alice Jardim. Figurino: Cy Teixeira. Iluminação: Fran Barros. Trilha sonora: Lucas Kaiser. Cenário: Cesar Resende de Santana (Basquiat). Preparação corporal: Felipe Alves. Operação de som e vídeo: Flavia Servidone e Viviane Barbosa. Operação de Luz: Lucas Barbosa. Produção: Ricardo Corrêa. Realização: Cia. Artera de Teatro.

Serviço:

Bug Chaser – Coração Purpurinado.
Teatro do Núcleo Experimental: Rua Barra Funda, 637.
Temporada de 04 de outubro a 30 de novembro – quartas e quintas às 21h.
Duração: 60 minutos.
Classificação etária: 16 anos.
Capacidade: 65 lugares.
R$ 40 | www.compreingressos.com.br






Fabrício Viana é Jornalista (MTB 80753/SP), Life Coach, Escritor premiado e bacharel em Psicologia. Com mais de 20 mil leitores, Viana é autor do livro O Armário (sobre a homossexualidade), Ursos Perversos (contos homoeróticos), Orgias Literárias da Tribo (coletânea LGBT), Theus: Do fogo à busca de si mesmo (romance homoerótico), entre outros. Leia a sinopse ou compre seus livros aqui: fabricioviana.com/livros. Deseja fazer uma sessão de Coach (pessoal ou por vídeoconferência)? Aqui fabricioviana.com/coaching. Para adicionar suas redes sociais (Instagram, Twitter, Youtube, Facebook), aqui fabricioviana.com/redessociais

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