Nenhum gay com HIV indetectável infectou outra pessoa, diz estudo.

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Pesquisa recente realizada com 358 casais do Brasil, Tailândia
e Austrália foi apresentada em Paris

Sei bem que o maior problema do preconceito é a falta de informações sérias a respeito de algo. Descobri isso em 2006 quando escrevi meu primeiro livro sobre a homossexualidade e os processos psíquicos que envolvem a “entrada e saída do armário”, hoje um verdadeiro sucesso. O mesmo ocorre com outras questões que não deveriam ser polêmicas: quando não procuramos saber a respeito de algo, nos perdemos e acabamos sendo (na maioria das vezes) preconceituosos.

Quando escrevi meu quarto livro, o romance gay chamado Theus (modestamente outro grande sucesso), embora uma obra de ficção, fiz questão de colocar diversos assuntos que considero sérios e verdadeiros para que meus leitores pudessem “abrir um pouco mais suas mentes” sobre diversos assuntos que rondam a “vivência homossexual” atual. Uma delas, informada por um dos personagens ao protagonista, é de que quem tem HIV, toma coquetel e tem sua carga viral indetectável, não consegue – mesmo se quisesse – transmitir o vírus do HIV para outra pessoa por meio do sexo desprotegido (afinal, sua carga viral é tão baixa no seu organismo, por conta da medicação que toma, que é impossível transmitir algo).


A princípio, muitas pessoas se espantam com esta informação. Raros enfaticamente dizem que não, que existe um risco sim. Bom, eu não sou médico, mas após o lançamento do meu romance gay Theus eu achei um vídeo de um médico brasileiro, infectologista, que cita todo o estudo feito em pessoas com HIV, que tomam a medicação (carga viral indetectável) e que não transmitiram o vírus. Quando aconteceu a transmissão, ao estudar o DNA do vírus, descobriu-se que ele foi transmitido por outros parceiros (com carga viral alta: provavelmente que não tomavam o coquetel). Na época virou até postagem aqui no blog, para quem me acompanha. Quem não, pode dar uma olhada no vídeo aqui

Bom, o que temos agora é mais um estudo (recente!) dizendo que essas pessoas, com HIV e carga viral indetectável, não transmite mesmo o HIV. Chamado de Os Opostos Se Atraem, o novo estudo envolveu 358 casais gays no Brasil, Tailândia e Austrália analisados entre 2012 e 2016. Durante este tempo, os casais tiveram 17 mil relações sexuais sem camisinha incluindo o sexo anal.

Neste estudo, porém, todos os casais eram sorodiscordantes: um tinha HIV com carga viral indetectável e o outro não tinha HIV. Segundo Andrew Grulich, do Instituto Kirby da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, “Nossa pesquisa acrescenta à evidência de um pequeno número de outros estudos internacionais de casais hetero e homo e significa que podemos dizer, com confiança, que efetivamente o tratamento do HIV bloqueia a transmissão em casais com diferentes níveis de HIV“.

Em outras palavras, caso você tenha feito sexo desprotegido com alguém e esta pessoa avisou que tem HIV, toma medicação e sua carga é indetectável, ela não transmitiu e nem conseguirá transmitir o HIV para você. Caso você tenha pego, basta fazer um estudo filogenético do vírus para confirmar: tudo vai levar a infecção por outra pessoa (provavelmente uma que não toma a medicação ou nem saiba que tem o vírus).


Claro que isso não justifica, por si só, o não uso da camisinha. Existem diversas outras DSTs por aí. Mas, pelo menos na questão do HIV, hoje sabemos, por diversos estudos, que quem tem, se cuida e toma medicação, além de viver bem (salvo algumas pessoas que possuem problemas com os antiretrovirais) não vai transmitir o HIV para outras pessoas.

Só vai transmitir pessoas que tem HIV, não tomam medicação e possuem carga viral alta (muitos vírus no organismo: promovendo a contaminação). E acredite, muita gente não sabe que tem, não se interessa em fazer o exame ou até mesmo tem medo de fazer e receber uma resposta positiva. O que é errado. Transou sem camisinha? Faça exames e se cuide. Hoje e sempre.

É isso aí. Como eu vivo dizendo, informação é tudo nesta vida. 🙂

Se puder, compartilhe este meu post nas redes sociais. Vamos acabar com a ignorância e o preconceito dentro e fora da comunidade LGBT.