Escrevi o texto abaixo no meu antigo Fotolog, em 2005 ou 2006, não me recordo. Mas é uma pequena “impressão” sobre o fabuloso livro Seis Balas Num Buraco Só, de João Silvério Trevisan, onde ele cita profundamente a CRISE DO MASCULINO. Vale a leitura! Quem leu Devassos no Paraíso irá se apaixonar por este. Alias, conversando com o Trevisan, este tema seria um novo capítulo do Devassos mas ele ficou tão grande e profundo que mereceu um livro só pra ele! Segue meu texto:

Este livro fala sobre a crise do MASCULINO…
- Porque a maioria dos crimes são cometidas por homens?
- Porque nas cadeias públicas, a quantidade de homens é superior a das mulheres?
- Porque o homem, desde quando nasce, escuta a mensagem “Seja homem!!!” e a mulher nunca escuta “Seja mulher!!”, ela simplesmente é…
- Porque se diz “Palavra de Homem” como sinônimo de um pacto verdadeiro e se pensarmos em “Palavra de Mulher” seria como um oposto disso?
- Porque os homens gostam de futebol e de brincadeiras competitivas para ver quem é o mais forte?
- Porque após o trabalho eles preferem ir a um bar e ver seus “semelhantes”?
- Como se dá a identidade do homem? Como ele cresce e se torna “dominante” em nossa sociedade? (dica, ele pensa que é “dominante”)
- Porque em palestras ou cursos sobre o MASCULINO somente mulheres e homossexuais participam em grande quantidade?
Bom, tem muito mais pra aguçar a curiosidade de vocês. Mas vou responder apenas a ultima aqui. O autor, em várias palestras sobre MASCULINO identificou que uma porcentagem pequena era constituída de homens. Os mais interessados no MASCULINO eram mulheres e homossexuais. A conclusão, junto com outros estudos, é que o homem é tão fragilizado em sua identidade que não consegue olhar pra si mesmo. Quando tenta se “auto-conhecer” ele simplesmente muda seu foco para seu semelhante, outro “igual”. Mas este semelhante, como ele é “homem”, se torna seu “rival”. Resumindo, ele tem enormes dificuldades em ter um contato consigo mesmo. E todos estes “machões” que encontramos em nosso dia-a-dia são, na verdade, homens fragilizados tentando se levantar contra sua própria fraqueza mostrando seu poder “fálico”.
LEITURA QUASE QUE OBRIGATÓRIA! Recomendo! ;-)
Publicado por Fabrício Viana, autor
do livro O
ARMÁRIO (Homossexualidade),
em
3 de maio de 2010
- Literatura Gay -



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Recentemente, ao comentar o blog do Ricardo Aguieiras, defini o masculino e a sua formação: “a formação do espírito masculino é marcada grandemente pelo medo de ser, pela inconsistência de sua identidade, pela imaturidade no enfrentamento da vida emocional e pela não-aproximação com o feminino. Para mim, na sociedade brasileira, formar-se homem hetero é ainda ser exclusivista, é nadar contra a corrente da inclusão, é marcar-se diferente da mulher, do gay, dos transgêneros e se achar superior a todos em suposta invulnerabilidade”.
O que o Trevisan consegue comprovar com sua observação e não está tão óbvio é que a identidade do “macho” está falida e é fonte de angústia para quem não consegue se aceitar e prolonga a não-aceitação para o próximo.
E uma coisa que não poucas vezes me choca, é constatar que mesmo muitos dos homens que se assumem gays podem repetir comportamentos, avaliações e preconceitos comuns nos homens heterossexuais.
Não sei se seria resquício de uma identidade que, no fundo, talvez quisessem ter…
E não me excluo totalmente desses. Muitas vezes, confesso, me pego tendo pensamentos e avaliações que eu digo pra mim mesmo: — peraí, cara, até tu, bruto?
Vou engrossar o caldo das mulheres e ler esse livro! Adoro o Trevisan, e se o livro passa por essas questões ele realmente não só é interessante como NECESSÁRIO.