ENTENDA: A solidão gay, não é só gay, heterossexuais e bissexuais também sofrem com isso.



Quem leu meu livro sobre a homossexualidade e os processos psíquicos que envolvem a entrada e a saída do armário, chamado O Armário, que escrevi em 2006 (hoje já se tornou uma das referências sobre o assunto), sabe um pouco da minha história. Me assumi com 17 anos em uma época que não existia internet e nem telefone celular. Faz tempo. Entretanto, ainda hoje, por mais que a Parada do Orgulho LGBT leve 3 milhões de pessoas para as ruas e falemos mais sobre o assunto, a LGBTfobia, pessoas com dificuldades para se assumirem e se livrarem da homofobia internalizada (tem vídeo no meu canal falando sobre ela), ainda existem. E são muitas. Infelizmente.

Entretanto, um discurso que sempre acompanhou a minha vida observando a vida de muitos homossexuais, desde aquela época até os dias atuais, é o fato de reclamarem sempre “que ninguém querer nada  sério com ninguém”. É comum, especialmente em grupos de convivência no Facebook, ver depoimentos de gays solitários, que sofrem de uma solidão profunda, querendo desesperadamente encontrar alguém e reclamando que no “mundo gay” (se é que ele existe, eu nunca o vi!), gays só querem sexo e nada mais.

Novamente, voltando pra homofobia internalizada, onde gays só vem o lado ruim de outros gays e da vivência homossexual, essas pessoas (gays!) que reclamam da solidão gay não percebem que heterossexuais também estão passando pelos mesmos momentos difíceis. E que momentos difíceis são estes?

Bom, vou citar alguns. Como disse ali em cima, eu me assumi em uma época que não existia telefones celulares, nem internet e muito menos redes sociais. Hoje as pessoas estão cada vez mais conectadas. Vejo famílias e/ou amigos em diversos lugares estando o tempo todo colados no celular (novamente, não são apenas gays!). Elas não se conversam, não se olham nos olhos, não se tocam, não se falam.

O problema é então das redes? Lógico que não. Uma vez me perguntaram, porque eu falo tanto da minha relação aberta e poliamorosa, se ter uma “relação moderna” é o futuro das relações. Eu digo sempre que não. Enxergo a evolução das relações humanas como não tendo relação: hoje é possível ser solteiro, viver sozinho e sem sentir solidão (isso é importante!), mantendo alguns contatos afetivos e sexuais com alguns amigos. Afinal, diferente de algumas décadas atrás, onde as pessoas namoravam porque não tinha nada pra fazer durante o dia todo, temos TV, Netflix, cinemas, teatros, bares, baladas, amigos, trabalho e muitas outras coisas no qual podemos nos distrair e elaborar melhor esse sentimento de abando/desamparo que todos nós sentimos (sim, tenho um livro engavetado sobre tudo isso chamado A INCOMPLETUDE)

Mas, voltando, quero enfatizar que a sociedade mudou. As pessoas mudaram. Temos aplicativos de pegação, caça, namoro e paquera, tanto para gays quanto para heterossexuais e bissexuais. As pessoas estão se tornando mais independentes. E sempre que alguém critica algo do “mundo gay” eu sempre faço, automaticamente, uma analogia com o “mundo heterossexual”. Tem muito heterossexual promiscuo, tem muito heterossexual que transa muito e não quer nada com nada. Falam de darkroom em boates gays, mas esquecem da quantidade de boates heteros (na Rua Augusta tem várias) onde heterossexuais transam. E transam tanto quanto. Sem falar nas casas de swing ou afins. E não há nada de errado com isso. Aliás, sexo é bom. Sexo é vida. Para quem acha que sexo é ruim, é sujo e afins, leia o livro A Função do Orgasmo, do Wilhelm Reich (é um livro chatinho de ler mas tem uma teoria muito legal sobre o quanto praticar sexo é saudável!).

Quando um homem gay reclama da sua solidão, ele esquece que precisa olhar para outros horizontes. Um colaborador meu, de São Paulo, jovem, outro dia estava desesperado para encontrar seu grande amor. Eu tentei ajudar. Falei, procura estudar, se dedicar aos estudos, procurar emprego, busque outras coisas e quando o amor aparecer, apareceu (desempregado, sem estudar, com problemas familiares, se sentindo cada vez mais solitário, percebi que a busca de um namorado seria mais para solucionar sues problemas do que ele mesmo se ajudar: e ele realmente precisa de ajuda, ele precisa realmente ajudar ele mesmo antes de qualquer coisa!). Quanto mais ficar na fissura de se procurar um grande amor, mais se sentirá frustrado e chateado com isso. Ele até que me respondeu: “Pra você é fácil, acesso seu Instagram todos os dias, você é um cara interessante”. Agradeci e falei, então torne-se um cara interessante também. Destaque-se. Saia do comum. Estude. Trabalhe. Cuide da aparência. Cuide da sua vida. Leia bons livros (atualmente ele está lendo dois meus) e por aí vai indo.

A solidão é um mal que atinge muita gente. E vai atingir mais ainda conforme formos avançando. Mais gente depressiva, mais gente usando e abusando de drogas (remédios pra dormir também é droga!), mais gente se contaminando com IST (infecções sexualmente transmissíveis) e não se tratando (precisa tratar, caso não goste ou não use camisinha, independente de ser gay, hetero ou bi) e mais pessoas se afundando. Você não precisa ser essa pessoa.

A dica é mudar o foco. Mesmo porque nem todo mundo sofre de solidão e são bem mais felizes (você pode ser uma destas pessoas!). Eu acredito muito na lei da atração. Inclusive recomendo o livro O Segredo ou o documentário (tem na Netflix). Se a gente pensa em sentimentos ruins, atrai sentimentos ruins. É uma bola de neve (foco nos sentimentos bons!). Mas, para a solidão, tem inúmeras coisas que podem ser feitas hoje em dia. Entender como ela funciona é uma delas. Neste meu novo livro A INCOMPLETUDE, engavetado (mas que ainda vou terminar), será uma ótima explicação para quem quer se aprofundar e eliminar a solidão (enquanto isso, pesquisa sobre o funcionamento/dinamismo do amor na vida intrauterina – visão psicanalista). Outra é eliminar o tempo ocioso. Temo ocioso, tédio, essas coisas, geram carência. Quanto mais engajado, mais distraído em coisas que você gosta, mais tempo que passa com você mesmo, se sentindo bem, menos solidão sentirá.

Infelizmente, muita gente ainda tem pavor da sua própria companhia. Ir a uma balada sozinho? Nem pensar. Cinema? Jamais. Cinema foi feito para ir a dois, com namorado ou namorada. Pensa a maioria. Mas estamos errados. Você é a sua melhor companhia. Estar na presença de si mesmo, se sentir seguro, apaziguado, é uma das coisas mais incríveis da vida. Se tem dificuldades, desliga o celular e vá ver um filme no cinema sozinho. Curta sua companhia. Pratique.

Então, quando ver algum gay (LGBTs, no geral!) reclamando da solidão gay, tente mostrar isso. A solidão não é e nunca foi um problema exclusivamente “gay/LGBT”. A sociedade mudou. Estamos cada vez mais solitários, transando muito (alguns, e, novamente, não tem nada de errado nisso: as pessoas praticam sexo, e é tão saudável quanto!), mas o que mais importa é você estar bem consigo mesmo. Se não está, precisa aprender. Não digo se isolar do mundo, precisamos de amigos, contato pessoal, olho no olho e por aí vai indo. Até mesmo, deixar o celular de lado, muitas vezes, fará um bem danado para a sua saúde.

Apenas não critique o tal “mundo gay” achando que as coisas são horríveis só para quem é gay. Não. Não são. As mesma quantidade de coisas ruins que você está vendo no “mundo gay”, saiba que no “mundo heterossexual” e no “mundo bissexual”, também existem. Ao invés de focar nas coisas ruins, foque nas coisas boas que te façam se sentir bem (brinque com seus cachorros, escute musicas que te coloquem pra cima, ligue pra um amigo que te faz bem ou familiar, invista no seu bem mais precioso: você, etc): novamente, lei da atração. Foco em se sentir bem, fazer o bem, para atrair o bem. Mantras ensinados no livro O Segredo.

O “mundo gay”, se um dia existir, deve ser colorido. Não sombrio como muitos estão pintando. Pinte-o com as cores alegres do arco-íris e atrairá as cores do arco-íris e toda a sua alegria!








Fabrício Viana é jornalista (MTB 80753/SP), escritor premiado e bacharel em psicologia. Com mais de 20 mil leitores, Viana é autor do livro O Armário (sobre a homossexualidade), Ursos Perversos (literatura erótica), Orgias Literárias da Tribo (coletânea LGBT premiada), Theus: Do fogo à busca de si mesmo (romance com temática gay) e outras publicações. Entre seus projetos, destacam-se o Educando Para Diversidade e a Bons Livros Editora Digital. Siga seu Canal no Youtube e suas redes sociais.
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